No começo da pandemia sentia-me tranquila, confiante de que a situação logo se resolveria, mas com o decorrer dos meses, preocupei-me. As contas foram acumulando, o gás acabava justamente no dia em que não tínhamos condições de comprar. No meu bairro não recebemos o vale gás como alguns receberam em outros bairros e municípios vizinhos. Mas, o alimento de cada dia não nos faltou hora alguma.
Neste post, em se tratando de pandemia, sou obrigada a abrir mão do debate sobre a fé de cada um de vocês, pois não vejo como falar de aceitação e fé sem mencionar o Criador. Não vou professar a minha religião, mantendo então o Todo Poderoso, como Criador.
Na minha casa residem onze pessoas no momento, mas na verdade residem doze. Destas onze pessoas, temos seis menores, cabendo aos outros cinco membros a manutenção da casa. Destas cinco, uma está trabalhando formalmente, apesar de receber aquém do salário mínimo e a outra é diarista com duas freguesas fixas, duas vezes por semana. Em suma, a nossa renda familiar que girava em torno de três salários mínimos , hoje, com a pandemia, não alcança dois salários. O auxílio governamental mal dá para pagar as despesas de água e luz mensalmente. Não vivíamos com luxo, mesmo porque com tantas pessoas sob o mesmo teto, três salários mínimos ainda são insuficientes para pensar em luxo, apenas não passávamos por estes apertos oriundos da pandemia. Mas não estou reclamando e nem maldizendo, explico a situação para que vocês entendam a conclusão final.
Não nos faltou alimentos em nenhum momento da pandemia, recebemos três cestas básicas do município e minha nora e meu filho completam as cestas mês a mês. Não podemos nos dar ao luxo de comprar carne, então compramos ovos que, no momento ,estão mais em conta para o nosso bolso.
Vejam como é sublime o zelo que o Criador tem para com todos nós. Uma família grande como a minha e Ele proveu todos os dias a nossa alimentação. O desespero para conseguir manter o alimento sobre a nossa mesa, eu não tenho, apesar de não estar trabalhando no momento, no entanto estou confiante no meu Criador. Em alguns momentos me preocupo, me sinto como um peso morto dentro da minha casa, mas logo, esta sensação de invalidez desaparece, porque busco no meu Criador o consolo para me acalmar.

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