Eu era uma pessoa instável emocionalmente, não sei em quais diagnósticos psiquiátricos eu seria incluída, mas de uma coisa eu tenho certeza, por ser tão instável perdi muitas oportunidades boas na vida. Com baixa auto estima, desde a infância tentei, por diversas vezes,viver intensamente a vida do outro. Criei também um mundo imaginário, onde eu era a dona de tudo e inclusive dona de mim mesma. Acho que nunca fui. Isso faz falta, ser o próprio autor da sua vida e mais falta ainda é não saber gerir seus sentimentos. E novamente mais uma lição pude aprender, nem todos gostam de amor, carinho e afeto. Falo aqui amor no sentido mais amplo da palavra e não o amor carnal. Eu me agonizava ao pensar em como poderia haver alguém que não gostasse de se sentir querido. Certa vez falei para o meu marido o quanto eu o amava e ele simplesmente me disse: "já estou cansado de ouvir isso, eu sei." Creio que vocês, leitores, já chegaram a uma simples resposta: o problema não é de quem quer demonstrar carinho e sim de quem não sabe receber. Mas torna-se difícil em se tratando de casais. Os cursos de relacionamento de casais deixam bem claro da necessidade em demonstrar afeto ao parceiro. Os palestrantes estavam errados? Eu estava errada em dar razão aos palestrantes? Deixo aí a minha dúvida.
Incrível como as pessoas apresentam reações tão inesperadas diante de palavras tão simples e o mais incrível ainda como nos deixamos ser magoados tão facilmente. Eu ainda estava envolta nas máscaras que construí para sobreviver ao mundo e nelas permaneci por mais um bocado de tempo depois deste acontecimento.
Hoje consigo manter-me estável emocionalmente por um período mais prolongado, foi um trabalho árduo conseguir esse equilíbrio emocional. Tenho que estar sempre atenta às novas experiências do dia a dia para que eu não recaia novamente. A instabilidade emocional bem como a solidão podem retornar, tenho consciência disso, mas se eu deixar elas retornarem, que não venham com a mesma intensidade perturbadora. O que sempre me atrapalhou muito na vida era a exacerbação de sentimentos, quaisquer que fossem.

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