Doutorada em solidão, concordo com muitos autores que dizem que a solidão é um estado de espírito e ainda acrescento, no meu caso, decorrente de martirização ao extremo. Ainda bem que é um estado ou seja, é passageiro, mas não vai passar por si somente. Foi necessário trabalhar várias situações vividas no passado que estavam interferindo na minha vida presente. Mantinha-me em solidão cerca de três vezes ao ano e com o passar do tempo, a frequência foi aumentando.Lembro-me de que já tinha alcançado uma certa estabilidade profissional e financeira, residia em casa própria, não tinha débitos bancários, minha vida era tranquila. Acordava durante a madrugada, e da varanda olhava para o céu, tentando buscar respostas para o que eu estava sentindo.Sem resposta alguma, refazia esse ritual todas as madrugadas. Pude analisar que nos momentos em que eu insistia em ficar relembrando dissabores vividos, a solidão se instalava. Então eu estava fazendo errado. Deveria olhar para dentro de mim, para ver o que me faltava, ou de certa maneira, o que me incomodava tanto nas lembranças. Afinal, não poderia mudar o passado e estava destruindo o meu presente.
Estar sozinho não significa solidão, muitas pessoas que conheço viveram ( outras ainda vivem) a maior parte da vida sozinhos, por opção. Enquanto tantas outras, mesmo rodeadas de multidões se encontram nesse estado. Acredito que saber lidar com as várias fases da vida nos faz cada vez mais conscientes de nossas debilidades, nos torna seres humanos mais autocríticos, mais conhecedores de nós mesmos. Tenho que abrir um parágrafo aqui porque já somos naturalmente autocríticos, porém sem propósitos. A autocrítica deve servir para nos impulsionar a modificar algo em nós, autocrítica sem fundamentação pode abrir crateras profundas na nossa mente e consequentemente, tornarmos-nos pessoas doentes.
Quando deixei de remoer as dificuldades do passado, pude perceber que aquele estado de solidão que era muito periódico, deixou de ser. Deixar o passado no passado, ele é imutável então, qual a finalidade em trazê-lo a tona no presente? Não nos ajuda em nada, ao contrário,dificulta-nos construir a nossa história presente. Para que sabotarmos a nós mesmos? Para que tanta flagelação?
A minha vida hoje flui menos dolorosa do que outrora.

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