A minha grande dificuldade, creio que seja também de muitas outras pessoas, era a falta de preparo para assumir fracassos. Nossos pais nos preparam sempre para o sucesso,'' estude para você ter uma profissão, ou trabalhe para poder se manter''. E assim, sucessivamente, vamos recebendo orientações que nos impulsionam ao sucesso.Não estou dizendo que deveríamos ser impulsionados ao fracasso ,e sim deveríamos estar preparados psicologicamente para sabermos trabalhar o fracasso. Não culpo meus pais por isso, afinal nem eles foram preparados para digerir os fracassos adquiridos na vida. A vida não é uma receita de bolo!
E por não ser receita de bolo,a individualidade nunca será uma atriz coadjuvante e sim a atriz principal da nossa divina comédia humana. . Ela tem papel principal nas escolhas de condutas que servirão para enfrentar os dissabores oriundos de nossas escolhas e aquela sensação nada agradável de termos fracassado em algo. Como eu já havia dito em outra publicação, cada indivíduo apresenta uma resposta peculiar diante de obstáculos e temos que saber respeitar.
Para muitos não estou dizendo nada mais do que o lógico, não preciso ser letrada em ciências humanas ou doutorada em psiquiatria para chegar a esta conclusão. Porém, aqui teremos dois lados de uma moeda... falar e saber é muito fácil, o difícil é colocar em prática.E sempre nestes momentos críticos,frases pré elaboradas e palavras de consolo ditas da boca para fora aparecem aos montes: Não se preocupe,isso vai passar, a vida é assim mesmo,ninguém falou que seria fácil, põe nas mãos do Criador e outros mil conselhos que, no momento de angústia não valem para nada.
Reconhecer a individualidade do outro me fez perceber que muitos sofrimentos que haviam me tirado o sono por tantas vezes, na verdade eram problemas de terceiros que eu estava carregando para mim. Um exemplo típico dessa situação foi quando um dos meus filhos discutiu no emprego, me pediu conselhos a respeito da insatisfação com o gerente e, no outro dia pediu demissão. Fiquei muito preocupada pois sendo ele pai de três filhos, como poderia manter as despesas de casa? Minha nora na época estava desempregada e eles moravam em casa alugada. Sofri, preocupada com a dificuldade que eles teriam para manter os filhos, senti- me traída por ter dado conselhos e não ter sido ouvida. Mas,na verdade, eu não estava sabendo respeitar a decisão que ele havia tomado, por mais absurda que fosse. Eu desejava que ele fizesse o que eu faria se estivesse na posição dele. Mas a escolha da decisão só cabia a ele, nem mesma eu poderia optar no lugar dele. Eu o aconselhei da melhor forma possível, levando em consideração a responsabilidade em zelar pela família.
Então para que ele veio me pedir conselhos? Para que eu norteasse a sua decisão, conselhos servem para isso e não necessariamente, deverão ser aplicados na prática. Geralmente quando pedimos conselhos já estamos decididos a fazer algo, a nossa escolha já foi feita.
Conselhos funcionam para nortear o indivíduo,não devendo o aconselhador pensar que o mesmo vai ser seguido. Hoje sei que conselhos são substituídos pelo simples SE eu fosse você eu faria desse jeito.

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