Sou uma mulher comum, entre milhões de outras mulheres comuns que planejaram a vida. Por cima de idealizações,construí a minha fortaleza(pensava eu).Sofri por diversas vezes pelos fracassos que vieram,decorrentes de planejamentos e ideais.Chorei muito,mas sempre lançando a culpa dos meus fracassos no outro. Cheguei a lançar as culpas das minhas decepções no Universo. Pude reparar que meu choro não era de insatisfação comigo,mas sim,com os outros.O casamento que durou apenas doze anos,a culpa por isso eu lançava no pai dos meus filhos.A mudança constante de cidade,morei em seis cidades depois que divorciei,a culpa por trocar tanto de emprego,era do serviço,que não tinha mais desafios para mim.E assim,sucessivamente,fui vivendo por viver,culpando todo o mundo e me isentando dos fracassos adquiridos.Lembro-me de chorar até debaixo do chuveiro para que meus filhos não me vissem chorando. De tanta insatisfação na vida,tentei auto extermínio por duas vezes.As ideias em acabar com tanta insatisfação pessoal fervilhavam na minha cabeça.Busquei auxílio no sexo desenfreado e na bebida e quando a realidade voltava,pude observar que essas atitudes me jogavam cada vez mais em um abismo.Num belo dia decidi então me olhar no espelho.Não com esse olhar vago,mas um olhar profundo e crítico.Eu queria enxergar a minha alma.E enxerguei.